História

A história da cidade data de meados do século XVI, quando a Capitania de São Tomé, também conhecida como Capitania do Paraíba do Sul, foi criada e doada a Pero de Góis, que fundou uma vila e deu ínicio ao cultivo de cana de açúcar. A etnia indígena goitacá, que habitava inicialmente o território, resistiu fortemente à colonização portuguesa, que encontrou grandes dificuldades de ocupação.

A chegada de jesuítas e beneditinos contribuiu para a pacificação junto aos índios e para a posterior colonização portuguesa, que teve início em 1627, quando o governador Martim Correia de Sá doou porções de terra da capitania em regime de sesmaria aos Sete Capitães, grupo de militares que lutou contra invasores holandeses, ingleses e franceses junto á Coroa Portuguesa.

A partir de então, a criação de gado foi incentivada pelos proprietários de terra, que vislumbraram a oportunidade de aproveitar o gado também para o trabalho no engenho. Pode-se dizer que este momento marcou o início da ocupação portuguesa na cidade: os capitães, que moravam no Rio de Janeiro  e em Cabo Frio, passaram a arrendar quinhões de suas sesmarias, o que contribuiu para o aumento da população. Além disso, a criação de gado teve um crescimento exponencial, assim como a diversificação de outras atividades.

A produção de cana-de-açúcar teve grande crescimento, e este momento foi marcado pela chegada de latifundiários poderosos, como Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que utilizou seu poder – uma vez que era governador da Capitania do Rio de Janeiro, para se beneficiar da partilha nas planícies ao fazer parcerias com religiosos. A partir de então, tiveram início as lutas por terras entre herdeiros dos capitães, pioneiros, colonos, campeiros e vaquejadores contra os Assecas, herdeiros de Salvador de Sá.

Os conflitos pela posse de terras duraram cerca de 100 anos, durante os quais a Coroa retornou a terra algumas vezes, mas acabou por devolvê-la aos Assecas devido à crise financeira. A região veio a ser pacificada em 1752, quando houve a compra da capitania e a contribuição pecuniária da própria população.

Embora a região tenha passado por um período de recuperação, devido ao domínio da cana-de-açúcar, mantinha-se isolada da capital. No inicio dos anos 1800, toda a planície encontrava-se ocupada e partilhada, mas ainda restavam quatro latifúndios. Colégio dos Jesuítas e São Bento (correspondentes à cidade de Campos dos Goytacazes e seu entorno), Quissamã, além da fazenda dos Assecas, onde surgiu o povoado da barra seca (atual munícipio de São Francisco do Itabapoana).

A Comarca de Campos foi criada em 1833, e em 28 de março de 1835, a Vila de São Salvador foi elevada a categoria de cidade, com o nome de Campos dos Goytacazes. A planície entre o Rio Paraíba do Sul e a Lagoa Feia deu lugar à pecuária e ao cultivo da cana-de-açucar. Em 1875, a região concentrava 245 engenhos de açúcar e 3610 fazendeiros. No ano de 1879, foi construída a primeira usina de Campos, chamada de Usina Central do Limão, que pertenceu ao doutor João José Nunes de Carvalho.

A região alcançou grande importância econômica nas esferas estadual e nacional, e ao final dos anos 1980 contava com uma agroindústria açucareira expressiva. Entretanto, alguns fatores, contribuíram para que a região passasse assumir papel de coadjuvante: São Paulo ter se tornado o maior produto nacional de açúcar com sua alta produtividade e o aumento da área cultivada no Nordeste – além da falta de modernização.

Este momento trouxe consequências negativas para a economia da região, que observou o fechamento de usinas e a perda de empregos. Entretanto, a descoberta de petróleo na Bacia de Campos nos anos 1970 e a construção do Superporto do Açu foram fundamentais para a recuperação da economia do Norte Fluminense.

Nota de rodapé: Gonçalo Correia de Sá, meio-irmão do governador, Manuel Correia de Sá (morto em 8 de janeiro de 1648), da mesma família, Duarte Correia Vasqueanes (morto em 23 de maio de 1650) também da mesma família dos Correia de Sá, Miguel Aires Maldonado e seu sogro, João de Castilho Pinto, Miguel Riscado e Antônio Pinto Pereira.